Atividades
Leitura do Livro: Linguistic Bodies
- Grupo de leitura
- Vitória Coelho e Eduardo Sousa
- Quinzenalmente às terças-feiras, Das 16h às 18h. (Início dia 18/08/26)
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Próximas atividades do grupo de pesquisa:
Ao se inscrever, você passará a receber os links de todos os encontros de seminários e pesquisa.
As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.
Fazendo sentido do mundo: algumas considerações enativo-ecológicas sobre a historicidade do sentido, da referência e da construção do conhecimento científico.
- Seminário
- Dr. Pedro Noguez (UFGRS)
- Terça-feira, 22/09/26 das 14h às 17h.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Este trabalho trata da controvérsia que advém das filosofias de Thomas Kuhn e Saul Kripke, que dão origem a compreensões diametralmente opostas dos interesses e do progresso científicos em curso. A controvérsia acima mencionada é analisada sob a premissa de que a posição de Thomas Kuhn — especialmente à medida que gera o “Problema dos Novos Mundos” — se baseia fundamentalmente nas intuições combinadas de que estados mentais são estados representacionais e que sistemas cognitivos são sistemas internos especializados no processamento de informações representacionais sobre o mundo. Com base em uma breve genealogia do que é chamado de “intuição representacionalista” no primeiro capítulo e em leituras das obras de Wittgenstein e Kripke, elaboradas no segundo, argumenta-se que as intuições combinadas de Thomas Kuhn estão erradas. No entanto, devido ao seu papel aparentemente insubstituível em grande parte do que é feito nas ciências e filosofias da mente e da cognição, no terceiro capítulo a abordagem enativo-ecológica à mente e à cognição é apresentada como uma alternativa adequada. Argumenta-se que a abordagem enativo-ecológica é compatível com as visões filosóficas de Wittgenstein (sobre o sentido proposicional) e Kripke (sobre a referência direta de termos singulares), fornecendo assim uma estrutura conceitual para compreender a mente juntamente com as visões desses filósofos. Assim, argumenta-se que o sentido proposicional, a referência direta e a construção do conhecimento científico são todos fenômenos inerentemente históricos, de modo que o Problema dos Novos Mundos se dissolve.
As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.
Discussão: F/acts: Ways of enactive worldmaking
- Grupo de pesquisa
- Vitória Coelho com a participação do autor, Ezequiel Di Paolo
- Terça-feira, 06/10/26 das 13:30h às 15:30h.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste encontro, Vitória Coelho conduzirá a discussão sobre o texto F/acts: Ways of enactive worldmaking de Ezequiel Di Paolo, com a participação especial do autor.
Resumo do artigo: Saber é uma atividade por meio da qual agentes e mundo se produzem mutuamente. Isso é frequentemente expresso pela afirmação enativa de que os agentes trazem à existência um mundo. Analiso essa ideia para diferentes modos de engajamento agente–ambiente: interacional, transacional e constitucional. Algo é produzido em cada caso. Trazer um mundo à tona não é apenas uma reivindicação epistêmica, mas ontológica. Atos em sua estrutura fina resultam de um processo de produção de fatos, ou f/atos. F/atos co-emergem com suas ‘precondições’, como intenções e affordances, através da divisão sujeito/objeto. F/atos definem sua temporalidade interna e afetividade, abrangendo tanto evento quanto experiência. Essa visão enativa admite uma pluralidade de mundos, sem implicar antirealismo. Não podemos trazer à existência qualquer mundo. A resistência do mundo organiza a ação e a experiência. Abordo as implicações para a objetividade e o livre-arbítrio e discuto a primordialidade da atividade, da comunidade e da relacionalidade. A partir de uma noção de ausência de fundamento no trabalho enativo inicial, sugiro que um universo participativo é melhor concebido como uma malha de fundamentos sem fundamento.
Observação: esta atividade será conduzida em inglês.
As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.
Semiotics meets Enactivism: The notion of representation in semiotics between Peirce and Saussure.
- Seminário
- Profa. Dra. Filomena Diodato (Sapienza University)
- Terça-feira, 20/10/26 das 14h às 16h.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Descrição em breve
Observação: esta atividade será conduzida em inglês.
As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.
Atividades passadas:
Why the “hard problem” of intenTionality is not a hard problem for enactivists (and why the “easy problem” of intenSionality is)
- Seminário
- Fernanda Cardoso (Unicamp/SADAF)
- Terça-feira, 08/09/26 das 14h às 17h.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Em “Facing up to the Problem of Intentionality” (2023), Angela Mendelovici e David Bourget sustentam que, para os naturalistas em filosofia da mente, há um “problema difícil da intencionalidade” (HPI), assim como há um “problema difícil da consciência”. Eles argumentam que os naturalistas, embora pretendam explicar a “intencionalidade em si mesma”, na verdade oferecem apenas teorias acerca de alguma combinação de três “problemas fáceis” da intencionalidade: (i) os postulados da psicologia popular (folk psychology); (ii) a representação mental tal como teorizada nas ciências da mente e do cérebro; e (iii) a intensionalidade linguística. Em sua segunda nota de rodapé (p. 231), o único lugar em que mencionam abordagens não representacionalistas, eles descartam prontamente o enativismo como uma “visão redutiva” e, portanto, como insuficiente para lidar com o HPI, assim como qualquer outra teoria naturalista da intencionalidade atualmente disponível. Minha tese é que, para os enativistas, o HPI não é, de fato, um problema difícil, mas antes o problema “fácil” da intenSionalidade. Meu argumento desenvolve-se em três etapas. Primeiro, o HPI repousa sobre uma pressuposição teórica problemática — a saber, que a intencionalidade é uma propriedade intrínseca das representações mentais — tomando tanto a representação mental quanto a intencionalidade original como dadas, enquanto premissas das teorias naturalistas da intencionalidade. Segundo, como a “revolução enativista” rejeita fundamentalmente esse quadro teórico, o HPI sequer se coloca para os enativistas; além disso, uma explicação metafísica da “intencionalidade em si mesma” já é fornecida pelo enativismo, ainda que os enativistas não definam o conteúdo intencional como uma propriedade original das representações mentais. Para reforçar esse argumento, examino a objeção dos autores de que o enativismo seria reducionista no que diz respeito à intencionalidade. Terceiro, argumento que, ironicamente, o verdadeiro problema “difícil” para os enativistas corresponde justamente àquilo que Mendelovici e Bourget classificam como os problemas “fáceis”, em grande medida devido ao que a literatura enativista denomina “problema de ampliação de escala” (scaling-up problem). Em particular, o problema da intenSionalidade corresponde precisamente a uma versão específica desse problema de ampliação de escala: o problema do conteúdo, mencionado pelos autores quando descartam o enativismo como reducionista no que diz respeito à intenCionalidade.
Discussão: An affordance-based approach to the origins of concepts
- Grupo de pesquisa
- Prof. Dr. César Meurer (UENF)
- Terça-feira, 25/08/26 das 14h às 17h.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste encontro, o professor César Meurer comentará o capítulo An affordance-based approach to the origins of concepts de Heras-Escribano, Travieso, and Lobo (2024) que discute como as affordances podem explicar processos cognitivos além da percepção e da ação, incluindo linguagem, imaginação e práticas sociais. Ele resume os principais aspectos das visões inatista e empirista sobre a origem dos conceitos. O capítulo discute como construir uma abordagem baseada em affordances para a origem dos conceitos. Também introduz conceitos corporificados, especificamente maneiras corporais hábeis e não discursivas de padronizar o mundo, que funcionam como um elo perdido entre estados cognitivos básicos e discursivos. Nesse sentido, o capítulo desenvolve uma maneira baseada em affordances e não representacional de formar conceitos corporificados, que, por sua vez, se tornam a base para a construção de conceitos regulares.
Discussão: Microphenomenology of first encounters
- Grupo de pesquisa
- Guilherme Ravazi
- Quarta-feira, 01/07/26, das 14h às 17h.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste encontro, Guilherme Ravazi conduzirá a discussão sobre o artigo Microphenomenology of First Encounters: A Sympathetic Critique de Ezequiel A. Di Paolo e Hanne De Jaegher.
Resumo do artigo: Métodos microfenomenológicos fornecem fontes importantes de dados experienciais para a investigação da intersubjetividade. Discutimos complementaridades com o método PRISMA e conjecturamos que investigações microfenomenológicas devem ser articuladas dentro de ciclos epistêmicos maiores, em conjunto com outras disciplinas. Em particular, sugerimos que, embora um certo bracketing interpretativo seja necessário durante as entrevistas em si, isso não se aplica à análise dos dados coletados, que deve se basear em perspectivas teóricas mais explícitas. Exemplificamos esse ponto sugerindo padrões que podem ser buscados nos dados a partir da perspectiva da teoria do sense-making participativo.
Discussão: Does agency come in levels?
- Grupo de pesquisa
- Profa. Dra. Nara Figueiredo
- Quarta-feira, 08/04/26 das 14h às 17h
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste encontro, a professora Nara conduzirá a discussão sobre o texto Does agency come in levels? de Ezequiel Di Paolo, que examina se o conceito de agência se manifesta melhor em diferentes níveis ou em tipos e escalas variadas. Usando a definição enativista, o autor explora agências orgânica, sensoriomotora e sociolinguística nos corpos humanos, rejeitando hierarquias ontológicas em favor de processos mutuamente influenciados e inacabados. A análise se estende a escalas de células a ecossistemas, alertando contra o risco de simplificar fenômenos complexos em sistemas vivos, ecológicos e sociais.
Discussão: A genealogical map of the concept of habit
- Grupo de pesquisa
- Juliana Tondolo
- Quarta-feira, 25/03/26 das 14h30 às 17h
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste encontro, Juliana Tondolo conduzirá a discussão sobre o artigo, A genealogical map of the concept of habit, de Xabier E. Barandiaran e Ezequiel A. Di Paolo, que propõe uma releitura histórica e conceitual da noção de hábito à luz das críticas corporificadas e enativistas ao cognitivismo. Na primeira parte do texto, os autores apresentam um panorama genealógico do conceito, identificando 77 pensadores e agrupando-os em sete tradições distintas. Duas grandes tendências são destacadas: a associacionista, que vai de Locke e Hume ao behaviorismo, e o organicismo, que remonta a Aristóteles e se desenvolve via idealismo alemão, espiritualismo francês, pragmatismo e fenomenologia. Na segunda parte, o artigo argumenta que a concepção organicista de hábito — entendida como estrutura ecológica e auto-organizadora — oferece um ponto de convergência fértil para perspectivas corporificadas e enativas da mente, permitindo sua reavaliação à luz da teoria dos sistemas dinâmicos e da pesquisa sobre complexidade.
Enativismo autopoiético: ação e representação reexaminadas à luz de Peirce
- Seminário
- Dra. Patrícia Fanaya
- Quinta-feira, 16/10/25 das 14h às 16h
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
O objetivo deste trabalho foi iniciar um diálogo entre o chamado enativismo autopoiético e o pragmatismo semiótico de C. S. Peirce, a fim de reexaminar tanto a ação quanto a representação sob uma perspectiva peirceana. O foco recaiu sobre o enativismo autopoiético porque essa abordagem oferece um escopo teórico mais amplo para a cognição, baseada na continuidade entre vida e mente, na corporificação, e na interação dinâmica e não linear entre um sistema e seu ambiente — ideias estas compatíveis com o pragmatismo semiótico de Peirce. O termo ‘pragmático’ foi introduzido na ciência cognitiva para reforçar a ideia de que a cognição é uma forma de prática e para ajudar as perspectivas orientadas à ação a escaparem do representacionalismo. Neste artigo, procurarei demonstrar que o pragmatismo semiótico de Peirce pode ser um caminho metodológico significativo para guiar uma reconciliação não apenas entre o anticartesianismo e a representação, mas também entre representação e ação. A fim de cumprir esse propósito, a visão de Peirce sobre ação, hábito, pensamento e mente foi abordada por meio de alguns dos princípios orientadores de sua semiótica: o signo e a ação do signo. O que se segue é o reexame do problema da representação — refutado pelo enativismo autopoiético — à luz do pragmatismo semiótico de Peirce.
Dúvida corporal e Dúvida existencial
- Seminário
- Prof. Dr. Marcelo Vieira Lopes
- Quinta-feira, 09/10/25 das 14h às 17h
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste seminário, apresento e discuto o conceito fenomenológico de dúvida em casos de transtornos psiquiátricos. Recentemente, o conceito de dúvida corporal foi proposto como um modelo fenomenológico de descrição da experiência da enfermidade em geral. De acordo com esse modelo, a dúvida acerca das capacidades corporais determinaria toda e qualquer experiência de enfermidade, seja ela somática ou mental. Não obstante, não é difícil encontrar na literatura psiquiátrica uma série de perturbações experienciais que vão além da dúvida acerca de elementos estritamente corporais. A hipótese a ser apresentada neste seminário diz respeito, portanto, à formulação de um conceito de dúvida adequado do ponto de vista da fenomenologia dos transtornos psiquiátricos. Nessa direção, sustentarei que pacientes psiquiátricos experimentam sua condição de sofrimento primariamente nos termos de uma dúvida acerca da totalidade de suas experiências, e não restrita ao âmbito estritamente corporal. Da mesma forma, elementos cognitivos, afetivos e comportamentais (embora corporalmente situados) também desempenham um papel fundamental na determinação dos transtornos mentais e sua experiência em primeira pessoa. No intuito de identificar as peculiaridades da noção de dúvida em casos psiquiátricos – o que venho chamando de dúvida existencial –, o presente seminário parte da reconstrução e análise da literatura fenomenológica sobre enfermidade somática e mental, bem como de abordagens não reducionistas da cognição (4EA cognition) e seus transtornos.
Discussão: Imaginação Manipulativa - Como Mover Coisas na Matemática
- Grupo de pesquisa
- Prof. Dr. Frank Sautter
- Quinta-feira, 18/09/25 das 14h às 17h
- Modalidade: presencial
- Local: Prédio 74A, sala 2338. UFSM, Santa Maria.
Neste encontro, o Professor Frank Sautter conduzirá a discussão o artigo Manipulative imagination: how to move things around in mathematics de Valeria Giardino que propõe uma leitura semiótica da abordagem corporificada da matemática. Na primeira parte do texto, a autora discute o papel do sensorimotor em matemática, considerando pesquisas em psicologia experimental sobre a segmentação de fórmulas e a prática da topologia como envolvendo imaginação manipulativa. A perspectiva defendida entende as representações matemáticas como ferramentas cognitivas cujo funcionamento depende de habilidades pré-existentes e de treinamento específico. Na segunda parte, o artigo aborda a noção de ferramentas cognitivas como adereços em jogos de “make-believe”, explorando a ideia de affordance e sua possível extensão de objetos concretos para representações.
A Aparência da Virtude: Uma Teoria Enativista da Aprovação
- Seminário
- Prof. Dr. Rafael Vogelmann
- Quinta-feira, 22/05/25 das 14h às 18h
- Modalidade: presencial
- Local: Prédio 74A, sala 2338. UFSM, Santa Maria.
O objetivo deste trabalho é aplicar uma forma geral de sentimentalismo, o sentimentalismo avaliativo enativista, a avaliações de agentes e seus traços de caráter. O sentimentalismo avaliativo enativista é composto de três teses: (i) significado é produzido por sistemas autônomos; (ii) este significado pode ser experimentado por um organismo na forma da percepção de certas affordances e (iii) que juízos avaliativos atribuem conceitualmente esse mesmo significado aos seus objetos. Eu defendo três pontos correspondentes em relação a juízos de virtude e vício. Primeiro, que relações interpessoais podem ser entendidas como sistemas autônomos de padrões de interação e que o significado da distinção avaliativa entre qualidades e defeitos de caráter é uma questão de como diferentes traços de caráter impactam, positiva ou negativamente, as condições de viabilidade de relações. Segundo, que essa distinção avaliativa é experimentada na forma da percepção de affordances envolvidas nas atividades de escolha e controle de parceiros. Assim, a percepção de qualquer uma dessas affordances equivale a uma aparência da distinção avaliativa em questão – isto é, a uma aparência de virtude ou vício. Terceiro, que devemos entender os conceitos de virtude e vício como ferramentas para atribuir conceitualmente aos agentes e suas traços de caráter exatamente o tipo de significado com o qual eles nos são apresentados quando experimentamos uma aparência de virtude ou vício.
