Seminários
Enativismo autopoiético: ação e representação reexaminadas à luz de Peirce
- Dra. Patrícia Fanaya
- Quinta-feira, 16/10 das 14 - 16h
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
O objetivo deste trabalho foi iniciar um diálogo entre o chamado enativismo autopoiético e o pragmatismo semiótico de C. S. Peirce, a fim de reexaminar tanto a ação quanto a representação sob uma perspectiva peirceana. O foco recaiu sobre o enativismo autopoiético porque essa abordagem oferece um escopo teórico mais amplo para a cognição, baseada na continuidade entre vida e mente, na corporificação, e na interação dinâmica e não linear entre um sistema e seu ambiente — ideias estas compatíveis com o pragmatismo semiótico de Peirce. O termo ‘pragmático’ foi introduzido na ciência cognitiva para reforçar a ideia de que a cognição é uma forma de prática e para ajudar as perspectivas orientadas à ação a escaparem do representacionalismo. Neste artigo, procurarei demonstrar que o pragmatismo semiótico de Peirce pode ser um caminho metodológico significativo para guiar uma reconciliação não apenas entre o anticartesianismo e a representação, mas também entre representação e ação. A fim de cumprir esse propósito, a visão de Peirce sobre ação, hábito, pensamento e mente foi abordada por meio de alguns dos princípios orientadores de sua semiótica: o signo e a ação do signo. O que se segue é o reexame do problema da representação — refutado pelo enativismo autopoiético — à luz do pragmatismo semiótico de Peirce.
Dúvida corporal e Dúvida existencial
- Prof. Dr. Marcelo Vieira Lopes
- Quinta-feira, 09/10 das 14 - 18h
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste seminário, apresento e discuto o conceito fenomenológico de dúvida em casos de transtornos psiquiátricos. Recentemente, o conceito de dúvida corporal foi proposto como um modelo fenomenológico de descrição da experiência da enfermidade em geral. De acordo com esse modelo, a dúvida acerca das capacidades corporais determinaria toda e qualquer experiência de enfermidade, seja ela somática ou mental. Não obstante, não é difícil encontrar na literatura psiquiátrica uma série de perturbações experienciais que vão além da dúvida acerca de elementos estritamente corporais. A hipótese a ser apresentada neste seminário diz respeito, portanto, à formulação de um conceito de dúvida adequado do ponto de vista da fenomenologia dos transtornos psiquiátricos. Nessa direção, sustentarei que pacientes psiquiátricos experimentam sua condição de sofrimento primariamente nos termos de uma dúvida acerca da totalidade de suas experiências, e não restrita ao âmbito estritamente corporal. Da mesma forma, elementos cognitivos, afetivos e comportamentais (embora corporalmente situados) também desempenham um papel fundamental na determinação dos transtornos mentais e sua experiência em primeira pessoa. No intuito de identificar as peculiaridades da noção de dúvida em casos psiquiátricos – o que venho chamando de dúvida existencial –, o presente seminário parte da reconstrução e análise da literatura fenomenológica sobre enfermidade somática e mental, bem como de abordagens não reducionistas da cognição (4EA cognition) e seus transtornos.
Incomuns e unívocos: o problema da identidade relacional
- Profa. Dra. Anelise De Carli
- Evento adiado. Nova data a ser confirmada.
- Modalidade: híbrido
- Local: Prédio 74A, sala 2307. UFSM, Santa Maria.
Neste seminário a Profa. Anelise De Carli vai partir da proposta da antropóloga peruana Marisol de la Cadena, e da ideia dos “incomuns” para pensar as políticas da identidade. A proposta é construída a partir das noções de “excesso” das categorias modernas, da ideia de “conexão parcial” de Marylin Strathern e de “equivocação controlada” de Eduardo Viveiros de Castro. Para organizar a ação política, a relacionalidade evidencia o limite de alcance de certos estigmas identitários, ao mesmo tempo que estabelece seus limites. A pretensão é aproximar essas elaborações do pensamento sobre a individuação simondoniano.
Discussão - Imaginação Manipulativa: Como Mover Coisas na Matemática
- Prof. Dr. Frank Sautter
- Quinta-feira, 18/09 das 14 - 18h
- Modalidade: presencial
- Local: Prédio 74A, sala 2338. UFSM, Santa Maria.
Neste seminário, o Professor Frank Sautter comentará o artigo Manipulative imagination: how to move things around in mathematics de Valeria Giardino que propõe uma leitura semiótica da abordagem corporificada da matemática. Na primeira parte do texto, a autora discute o papel do sensorimotor em matemática, considerando pesquisas em psicologia experimental sobre a segmentação de fórmulas e a prática da topologia como envolvendo imaginação manipulativa. A perspectiva defendida entende as representações matemáticas como ferramentas cognitivas cujo funcionamento depende de habilidades pré-existentes e de treinamento específico. Na segunda parte, o artigo aborda a noção de ferramentas cognitivas como adereços em jogos de “make-believe”, explorando a ideia de affordance e sua possível extensão de objetos concretos para representações.
A Aparência da Virtude: Uma Teoria Enativista da Aprovação
- Prof. Dr. Rafael Vogelmann
- Quinta-feira, 22/05 das 14 - 18h
- Modalidade: presencial
- Local: Prédio 74A, sala 2338. UFSM, Santa Maria.
O objetivo deste trabalho é aplicar uma forma geral de sentimentalismo, o sentimentalismo avaliativo enativista, a avaliações de agentes e seus traços de caráter. O sentimentalismo avaliativo enativista é composto de três teses: (i) significado é produzido por sistemas autônomos; (ii) este significado pode ser experimentado por um organismo na forma da percepção de certas affordances e (iii) que juízos avaliativos atribuem conceitualmente esse mesmo significado aos seus objetos. Eu defendo três pontos correspondentes em relação a juízos de virtude e vício. Primeiro, que relações interpessoais podem ser entendidas como sistemas autônomos de padrões de interação e que o significado da distinção avaliativa entre qualidades e defeitos de caráter é uma questão de como diferentes traços de caráter impactam, positiva ou negativamente, as condições de viabilidade de relações. Segundo, que essa distinção avaliativa é experimentada na forma da percepção de affordances envolvidas nas atividades de escolha e controle de parceiros. Assim, a percepção de qualquer uma dessas affordances equivale a uma aparência da distinção avaliativa em questão – isto é, a uma aparência de virtude ou vício. Terceiro, que devemos entender os conceitos de virtude e vício como ferramentas para atribuir conceitualmente aos agentes e suas traços de caráter exatamente o tipo de significado com o qual eles nos são apresentados quando experimentamos uma aparência de virtude ou vício.
