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Ciclo integrado de atividades dedicadas ao Enativismo

Novembro, 2025.

Com palestras, reuniões, workshops, performances e sessões de banners, a programação reuniu pesquisadores, estudantes e convidados internacionais para investigar e discutir novas perspectivas sobre a vida, a mente e a linguagem.

 

O Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) promoveu, de 10 a 19 de novembro de 2025, um ciclo integrado de atividades dedicadas ao enativismo e aos estudos da intersubjetividade. A iniciativa, que combinou palestras, conferências, reuniões, workshops, sessões de banners e performances, aproximou pesquisadoras e pesquisadores dedicados a compreender os fenômenos mentais e sociais que emergem das nossas relações como organismos situados em ambientes sociais e em práticas compartilhadas.

Participantes da mesa redonda que ocorreu no dia 14/11

Nos dias 10, 11 e 12/11, ocorreu o Workshop PRISMA, ministrado pelas Filósofas e Cientistas Cognitivas Dra. Hanne de Jaegher e Profa. Dra. Elena Cuffari, e coordenado pela Profa. Dra. Nara Figueiredo. De Jaegher e Cuffari são co-autoras da obra Linguistic Bodies:The continuity between Life and Language (Corpos Linguísticos: A continuidade entre Vida e Linguagem) uma das obras centrais da teoria enativista e fundamental para a explicação de processos linguísticos. 

Prisma é uma metodologia de pesquisa de investigação da experiência intersubjetiva e da emergência de dinâmicas interativas e processos significativos. O Workshop PRISMA  —um treinamento e pesquisa experimental aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEF)—,  reuniu participantes para experimento e análise de situações reais de coordenação social e produção participativa de sentido. A proposta do workshop foi aproximar teoria e prática: compreender como conceitos enativistas permitem investigar experiências compartilhadas sem reduzi-las a processos internos ou individuais, e observando a emergência e produção de dinâmicas interativas.  A metodologia PRISMA proporciona que se tornem explícitos  padrões e dinâmicas da intersubjetividade. Os participantes se tornam os próprios pesquisadores e se envolvem nas interações —e isso permite que, ao fazê-lo, descubram tendências estruturais, regularidades e sutilezas da experiência intersubjetiva. Essa conexão entre teoria e método reforça a profundidade da abordagem enativista: além de um modo de conceber a cognição social, é também um modo de explorá-la empiricamente.

Nos dias 12, 13 e 14/11, ocorreu o II Workshop Enact: Intersubjectivity, com a participação de estudantes e pesquisadores de diversas universidades brasileiras (UFSM, UFRGS, UFPR, Unesp, UENF, UFRJ, UFG, UFBA) e estrangeiras (Universidad de Valparaíso, Chile, Franklin & Marshall College, USA, University of Sussex-UK/Mind in Life Europe, Universidade Nova Lisboa, Portugal). Neste período houve uma intensa agenda de apresentações de pesquisas em andamento, discussões e atividades para explorar modos alternativos de pensar que fazem juz à tese central Enativista de que somos corpos linguísticos e que a prática reflexiva de conhecimento e produção de sentido envolve a corporeidade de um modo constitutivo. A programação foi pensada para permitir tanto o aprofundamento teórico, quanto a experiência prática da intersubjetividade.

Um dos destaques do evento foi a integração de várias áreas do conhecimento, tendo participantes da filosofia, psicologia, computação, farmácia, economia, artes visuais, dança, relações internacionais e educação. Essas aproximações interdisciplinares evidenciam  diversas linhas convergentes de pesquisa, tais como: saúde e cuidado, linguagem e lógica, ética e metaética, tecnologias e inteligências artificiais, educação, sociedade e realidade.

II Workshop Enact: Intersubjectivity. Conferência de Hanne de Jaegher (Mind & Life Europe/University of Sussex – UK).

“Eu tive uma experiência muito positiva nesse workshop, muito diferente dos eventos usuais de filosofia (…) as atividades que a gente fez foram muito boas para termos uma perspectiva nova sobre algumas coisas que a gente desenvolve em um outro domínio filosófico. … a qualidade do evento é altíssima.

 

(…) Eu pude ver excelentes contribuições ao enativismo neste evento. Um workshop excelente!”

Prof. Dr. Giovanni Rolla (UFBA)

Para os organizadores, a relevância do ciclo também vai além da discussão acadêmica. Em um contexto marcado por tensões sociais, polarização e transformações tecnocientíficas que moldam novas formas de interação, pensar a intersubjetividade, e reconhecer que é um processo dinâmico do qual participamos, tornou-se urgente. 

Parte da Equipe de Organização

“Investigar como nos tornamos agentes juntos, como produzimos mundos e significados de modo relacional, é fundamental para compreender tanto conflitos quanto possibilidades de cooperação”, afirma a professora Nara. (foto, ao centro) 

A teoria enativa, especialmente essa vertente que enfatiza a produção participativa de sentido, é de grande relevância tanto para a pesquisa empírica qualitativa quanto para desenvolvimentos teóricos filosóficos: ela defende que a mente não é apenas um sistema individual, mas um processo que se constrói na relação, no diálogo com outros.

Profa. Dra. Elena Cuffari (F&MC)

“Não é apenas um evento interdisciplinar, (…) mas também é profundamente experiencial.

 

 

Nós fizemos workshops juntos e eles se complementaram um após o outro. Nunca tive tantas sensibilidades e percepções despertadas em uma conferência (…). Estamos tentando explorar a intersubjetividade e a produção participativa de sentido juntos e isso realmente está acontecendo aqui. Não sei se consigo enfatizar o quão especial e raro isso é para um evento acadêmico, mas aqui eles conseguiram e sou extremamente grata por isso!

(Tradução nossa)

Na semana seguinte, de 17 a 19/11 houve a etapa de análise e planejamento, na qual o grupo de pesquisa C&L/Enact, coordenado pela Profa. Nara Figueiredo, se dedicou a uma rotina intensa de atividades, voltadas à análise dos dados coletados durante o workshop e ao planejamento dos próximos passos da pesquisa. Os encontros também abriram espaço para explorar novos rumos teóricos e metodológicos, consolidando uma transição natural entre a etapa de treinamento e experimentação iniciais e o aprofundamento investigativo do projeto. Encaminhamentos para pesquisas futuras incluem a condução de experimentos sobre intersubjetividade, a produção conjunta de artigos científicos, parcerias interinstitucionais e caminhos para divulgação científica.

O ciclo e as iniciativas do projeto Enact tem contado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), da Associação Nacional de Pós Graduação em Filosofia (ANPOF), da Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica (SBFA), do Centro de Artes de Letras da UFSM (CAL), do Laboratório de Pesquisa em Performance, Arte e Cultura (LAPARC) do Grupo de pesquisa grupo de pesquisa CORPOÉTICAS—Contribuições da dança para a Academia, do Departamento de Filosofia da UFSM (DFil), do Programa de Pós Graduação em Filosofia (PPGFil), do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Saiba mais

Sobre o conceito-chave trabalhado no projeto

Conforme a coordenadora do Projeto Enact, professora Dra. Nara Figueiredo, um dos direcionamentos da pesquisa é teoricamente enquadrado pela noção de Produção Participativa de Sentido (PSM participatory sense-making), como concebido por Hanne De Jaegher e Ezequiel Di Paolo.

Tradicionalmente, a investigação da cognição social tem se concentrado principalmente em processos que se passam dentro da mente/cérebro individual. Em contraste, a PSM focaliza a emergência da cognição social a partir das interações dinâmicas entre indivíduos.

Sobre a metodologia adotada

O método de pesquisa PRISMA foi escolhido em razão de ser utilizado para incorporar o estudo da interação social. Nas interações experienciadas corporalmente, passo a passo, os participantes-pesquisadores desdobram e descobrem tendências e regularidades da intersubjetividade. Eles também refratam sistematicamente as interações em seus aspectos experienciais, ou seja, são provocados a analisar as interações sociais de forma sistemática e detalhada, especialmente focando nos aspectos experienciais ou subjetivos envolvidos. Em outras palavras, é como se eles estivessem examinando as interações sob uma luz específica, buscando compreender e interpretar os diferentes aspectos e nuances das experiências vividas durante essas interações.

Grupo de Pesquisa

Um grupo de pesquisa liderado pela professora Nara foi criado na UFSM para estudar, pesquisar e apoiar a participação e organização de palestras, workshops, entre outros eventos relacionados ao enativismo. O Grupo Cognição & Linguagem – UFSM reúne-se semanalmente. Interessados em participar devem enviar e-mail para enact.cl@ufsm.br.