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Atividades

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Leitura: Linguistic Bodies

Neste grupo iremos ler o livro “Linguistic Bodies: The Continuity between Life and Language” de Ezequiel A. Di Paolo, Elena Clare Cuffari e Hanne De Jaegher. Os encontros serão quinzenais nas quartas-feiras às 16h, a partir do dia 18/03. O encontro será para discutir o texto lido, é importante a leitura prévia para a participação.
 
As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.
juliana

Discussão: A genealogical map of the concept of habit

Neste encontro, Juliana Tondolo conduzirá a discussão sobre o artigo, A genealogical map of the concept of habit, de Xabier E. Barandiaran e Ezequiel A. Di Paolo, que propõe uma releitura histórica e conceitual da noção de hábito à luz das críticas corporificadas e enativistas ao cognitivismo. Na primeira parte do texto, os autores apresentam um panorama genealógico do conceito, identificando 77 pensadores e agrupando-os em sete tradições distintas. Duas grandes tendências são destacadas: a associacionista, que vai de Locke e Hume ao behaviorismo, e o organicismo, que remonta a Aristóteles e se desenvolve via idealismo alemão, espiritualismo francês, pragmatismo e fenomenologia. Na segunda parte, o artigo argumenta que a concepção organicista de hábito — entendida como estrutura ecológica e auto-organizadora — oferece um ponto de convergência fértil para perspectivas corporificadas e enativas da mente, permitindo sua reavaliação à luz da teoria dos sistemas dinâmicos e da pesquisa sobre complexidade.

As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.

Nara Figueiredo

Discussão: Does agency come in levels?

Neste encontro, a professora Nara conduzirá a discussão sobre o texto Does agency come in levels? de Ezequiel Di Paolo, que examina se o conceito de agência se manifesta melhor em diferentes níveis ou em tipos e escalas variadas. Usando a definição enativista, o autor explora agências orgânica, sensoriomotora e sociolinguística nos corpos humanos, rejeitando hierarquias ontológicas em favor de processos mutuamente influenciados e inacabados. A análise se estende a escalas de células a ecossistemas, alertando contra o risco de simplificar fenômenos complexos em sistemas vivos, ecológicos e sociais.

Observação: esta atividade será conduzida em inglês.

As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.

César Meurer

Discussão: An affordance-based approach to the origins of concepts

Neste encontro, o professor César Meurer comentará o capítulo An affordance-based approach to the origins of concepts de Heras-Escribano, Travieso, and Lobo (2024) que discute como as affordances podem explicar processos cognitivos além da percepção e da ação, incluindo linguagem, imaginação e práticas sociais. Ele resume os principais aspectos das visões inatista e empirista sobre a origem dos conceitos. O capítulo discute como construir uma abordagem baseada em affordances para a origem dos conceitos. Também introduz conceitos corporificados, especificamente maneiras corporais hábeis e não discursivas de padronizar o mundo, que funcionam como um elo perdido entre estados cognitivos básicos e discursivos. Nesse sentido, o capítulo desenvolve uma maneira baseada em affordances e não representacional de formar conceitos corporificados, que, por sua vez, se tornam a base para a construção de conceitos regulares.

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Incomuns e unívocos: o problema da identidade relacional

Neste seminário a Profa. Anelise De Carli vai partir da proposta da antropóloga peruana Marisol de la Cadena, e da ideia dos “incomuns” para pensar as políticas da identidade. A proposta é construída a partir das noções de “excesso” das categorias modernas, da ideia de “conexão parcial” de Marylin Strathern e de “equivocação controlada” de Eduardo Viveiros de Castro. Para organizar a ação política, a relacionalidade evidencia o limite de alcance de certos estigmas identitários, ao mesmo tempo que estabelece seus limites. A pretensão é aproximar essas elaborações do pensamento sobre a individuação simondoniano.

As pessoas inscritas na modalidade online receberão, por e-mail, o link de acesso 15 minutos antes do início da atividade.

Patrícia Fanaya

Enativismo autopoiético: ação e representação reexaminadas à luz de Peirce

O objetivo deste trabalho foi iniciar um diálogo entre o chamado enativismo autopoiético e o pragmatismo semiótico de C. S. Peirce, a fim de reexaminar tanto a ação quanto a representação sob uma perspectiva peirceana. O foco recaiu sobre o enativismo autopoiético porque essa abordagem oferece um escopo teórico mais amplo para a cognição, baseada na continuidade entre vida e mente, na corporificação, e na interação dinâmica e não linear entre um sistema e seu ambiente — ideias estas compatíveis com o pragmatismo semiótico de Peirce. O termo ‘pragmático’ foi introduzido na ciência cognitiva para reforçar a ideia de que a cognição é uma forma de prática e para ajudar as perspectivas orientadas à ação a escaparem do representacionalismo. Neste artigo, procurarei demonstrar que o pragmatismo semiótico de Peirce pode ser um caminho metodológico significativo para guiar uma reconciliação não apenas entre o anticartesianismo e a representação, mas também entre representação e ação. A fim de cumprir esse propósito, a visão de Peirce sobre ação, hábito, pensamento e mente foi abordada por meio de alguns dos princípios orientadores de sua semiótica: o signo e a ação do signo. O que se segue é o reexame do problema da representação — refutado pelo enativismo autopoiético — à luz do pragmatismo semiótico de Peirce.

Dúvida corporal e Dúvida existencial

Neste seminário, apresento e discuto o conceito fenomenológico de dúvida em casos de transtornos psiquiátricos. Recentemente, o conceito de dúvida corporal foi proposto como um modelo fenomenológico de descrição da experiência da enfermidade em geral. De acordo com esse modelo, a dúvida acerca das capacidades corporais determinaria toda e qualquer experiência de enfermidade, seja ela somática ou mental. Não obstante, não é difícil encontrar na literatura psiquiátrica uma série de perturbações experienciais que vão além da dúvida acerca de elementos estritamente corporais. A hipótese a ser apresentada neste seminário diz respeito, portanto, à formulação de um conceito de dúvida adequado do ponto de vista da fenomenologia dos transtornos psiquiátricos. Nessa direção, sustentarei que pacientes psiquiátricos experimentam sua condição de sofrimento primariamente nos termos de uma dúvida acerca da totalidade de suas experiências, e não restrita ao âmbito estritamente corporal. Da mesma forma, elementos cognitivos, afetivos e comportamentais (embora corporalmente situados) também desempenham um papel fundamental na determinação dos transtornos mentais e sua experiência em primeira pessoa. No intuito de identificar as peculiaridades da noção de dúvida em casos psiquiátricos – o que venho chamando de dúvida existencial –, o presente seminário parte da reconstrução e análise da literatura fenomenológica sobre enfermidade somática e mental, bem como de abordagens não reducionistas da cognição (4EA cognition) e seus transtornos.

Discussão: Imaginação Manipulativa - Como Mover Coisas na Matemática

Neste encontro, o Professor Frank Sautter conduzirá a discussão o artigo Manipulative imagination: how to move things around in mathematics de Valeria Giardino que propõe uma leitura semiótica da abordagem corporificada da matemática. Na primeira parte do texto, a autora discute o papel do sensorimotor em matemática, considerando pesquisas em psicologia experimental sobre a segmentação de fórmulas e a prática da topologia como envolvendo imaginação manipulativa. A perspectiva defendida entende as representações matemáticas como ferramentas cognitivas cujo funcionamento depende de habilidades pré-existentes e de treinamento específico. Na segunda parte, o artigo aborda a noção de ferramentas cognitivas como adereços em jogos de “make-believe”, explorando a ideia de affordance e sua possível extensão de objetos concretos para representações.

A Aparência da Virtude: Uma Teoria Enativista da Aprovação

O objetivo deste trabalho é aplicar uma forma geral de sentimentalismo, o sentimentalismo avaliativo enativista, a avaliações de agentes e seus traços de caráter. O sentimentalismo avaliativo enativista é composto de três teses: (i) significado é produzido por sistemas autônomos; (ii) este significado pode ser experimentado por um organismo na forma da percepção de certas affordances e (iii) que juízos avaliativos atribuem conceitualmente esse mesmo significado aos seus objetos. Eu defendo três pontos correspondentes em relação a juízos de virtude e vício. Primeiro, que relações interpessoais podem ser entendidas como sistemas autônomos de padrões de interação e que o significado da distinção avaliativa entre qualidades e defeitos de caráter é uma questão de como diferentes traços de caráter impactam, positiva ou negativamente, as condições de viabilidade de relações. Segundo, que essa distinção avaliativa é experimentada na forma da percepção de affordances envolvidas nas atividades de escolha e controle de parceiros. Assim, a percepção de qualquer uma dessas affordances equivale a uma aparência da distinção avaliativa em questão – isto é, a uma aparência de virtude ou vício. Terceiro, que devemos entender os conceitos de virtude e vício como ferramentas para atribuir conceitualmente aos agentes e suas traços de caráter exatamente o tipo de significado com o qual eles nos são apresentados quando experimentamos uma aparência de virtude ou vício.